Mas afinal, o que é “Tecnologia da informação”?

 

Usamos o termo “Tecnologia da informação” (ou TI) corriqueiramente em nosso dia-a-dia. Nos referimos aos nossos departamentos e equipes como TI, temos cursos acadêmicos que tratam de gestão de TI, produzimos software, compramos hardware, e, no fim, chamamos tudo de TI.

Mas neste universo tão vasto como podemos, então, definir “Tecnologia da informação”? A pergunta parece obvia, mas a resposta não é trivial (aqui, não irei me ater aos significados subjetivos que TI pode ter, pois não seria possível definir coisa alguma, quero me reter o significado propriamente dito do termo).  Tente por um momento definir Tecnologia da Informação, e logo perceberá que pode ser mais difícil do que parece.

 

Em busca de alguma definição, tentarei entender separadamente o que é tecnologia e o que é informação.

 

Tecnologia

Quando falamos em tecnologia, imediatamente nos vem a mente toda forma de equipamento eletrônico que está disponível em nosso mundo atual. Dizemos que algo é que de altamente tecnológico quando é capaz de realizar grandes feitos através de hardware e software (como um foguete que leva o homem ao espaço). Nos esquecemos que, em relação a história da humanidade, o surgimento destes equipamentos é recente, e que a tecnologia é algo muito mais antigo e muito mais amplo. Desde o domínio do fogo até as caminhadas espaciais, temos produzido grandes feitos de alta tecnologia, pois exigiram que o homem estudasse o ambiente e encontrasse maneiras criativas de resolver problemas. O que é importante perceber aqui, é que tecnologia é um conceito que não pode ser reduzido a aparelhos cheios de botões que compramos em lojas especializadas. Tecnologia deve nos remeter as inovações criadas para resolvermos problemas que enfrentamos diariamente.

 

Informação

É impossível falar sobre informação sem antes introduzirmos o conceito de dado. Dado é uma seqüência de símbolos puramente sintática, ou seja, é uma entidade que sozinha não possui significado. Por exemplo, se eu digo apenas “340”, isto não quer dizer muita coisa, mas se eu contextualizo dizendo também “é o número de páginas de um livro” ou “é o número do bilhete premiado que ganhará uma viagem”, o número “340” é contextualizado e passa a ter um significado, ou seja, deixa de ser um dado e passa a ser uma informação. A informação é uma abstração que representa algo significativo para alguém em determinado contexto. Sendo uma abstração, não podemos guardar a informação em uma entidade computacional, para tanto temos que reduzi-la a dados.

 

Mas se tudo o que conseguimos com hardware e software é guardar dados, então porque falamos de tecnologia da informação? (e não de tecnologia de dados?) De fato, temos que ter consciência que nunca transitaremos informações de um ponto a outro, por mais que usemos os componentes mais caros e contratemos os profissionais mais competentes, no fim, estamos processando e transmitindo dados. Mas não basta levar dados, temos que sabe o que levar, quando levar e a quem levar.

 

Não há nada mais gratificante do que abrir um sistema, o site de um banco por exemplo, e conseguir os dados que precisamos rapidamente, de forma que instantaneamente eles se “transformam” em informação e podemos tomar várias decisões em questões de minutos. Por outro lado, não há nada mais frustrante do que procurar um simples telefone no site de um fornecedor, e depois de rodar o site todo encontrá-lo perdido em uma sessão do site pouco provável.

 

A sensação que tenho aqui é que um dado pode ser considerado bom quando, ao recebê-lo, já não o distinguimos mais da informação, ele parece ser a própria informação. Ao fazermos isso, estamos conseguindo gerar no receptor informações que valham a pena, ou seja, estamos criando um modo de transmitir algo abstrato (a informação), estamos fazendo tecnologia da informação.

 

Deste modo, uma possível definição para Tecnologia da informação é:

“Tecnologia da Informação é inovar, de forma criativa, o modo que levarmos dados as pessoas certas, no lugar certo e no momento certo, de forma que estes dados possam ser rapidamente interpretados pelo receptor (que é quem gera a informação), aumentando consideravelmente as chances de uma decisão ser tomada corretamente.”

 

Apesar de normalmente fazermos isso utilizando plataformas computacionais, o termo “Tecnologia da informação” não implica obrigatoriamente no uso de hardware e software. Assim, nós profissionais de TI, temos um horizonte muito maior e mais desafiador do que podemos perceber em nosso dia-a-dia.

 

 

 

Rodrigo Ramos Garcia

Graduado em Ciência da Computação e pós-graduando em Gestão de TI pela POLI-USP, atua na área de TI há dez anos, tendo experiência em cargos técnicos e gerenciais, incluindo coordenação de equipe de infra-estrutura e coordenação de projetos de desenvolvimento de software para ambientes comerciais e financeiros.

Contato: rodrigo@rrgarcia.com.br