A tecnologia veio, com uma promessa de permitir mais tempo às pessoas,
ou seja, uma qualidade de vida melhor, mais junto à família, mais tempo para
descanso, mais tempo para o estudo e afins. Sim, realmente as pessoas têm mais
tempo, pois muitas delas estão desempregadas.
Será que é a tecnologia que propos isso ou a falta de entendimento, a
ganância do homem, em conseguir muito mais ($$$) com muito menos (pessoas). Mas
esta é uma discussão para outra ocasião.
Ontem, hoje e com certeza, amanhã vemos as pessoas correndo nas ruas, não
têm tempo para suas famílias, o tempo é apertado entre a saída do trabalho e
a entrada em um curso, faculdade etc.
Vemos as pessoas impacientes, quando acionam a tecla ENTER de seu
computador, e o sistema “demora” em responder. Mas será que ele demora ou
é a nossa impaciência? O que antes demorava 3 segundos, agora demora 1,5
segundos e com os novos sistemas e o hardware cada vez mais rápido, a tendência
é diminuir. Mas o que será que exigiremos quando este valor estiver abaixo de
0,5 segundos?
Vemos a intolerância a erros, dentro das empresas, onde muitas vezes o
funcionário, estressado, trabalhando sob pressão, deixa de colocar um dado no
relatório, ou deixa de fazer um processo importante, porque esqueceu,
ou não cumpriu um prazo e o cliente está ameaçando ir em busca da
concorrência. Perfeição, só divina.
No mesmo dia você é um herói, ou seja, de manhã, e a tarde, é o
culpado até pela crise do petróleo. A sociedade da intolerância, quer buscar
culpados para tudo que acontece na empresa ou em qualquer outro lugar, quer tudo
para ontem, quer tudo certo logo, sempre! Esta é a sociedade que quer fazer
tudo que o cliente pede, sem limites, sem saber se ao menos tem condições
internas para atender a estas demandas, e depois os funcionários é que são
sacrificados, por causa de um gerente imediatista, sem metodologia, sem o mínimo
de planejamento.
Temos a tecnologia, com sistemas informatizados modernos, técnicas
modernas de desenvolvimento, técnicas modernas de administração e afins.
Temos os sistemas de gestão integrados, que integram a empresa como um todo,
permitindo um fluxo da informação otimizado, rápido, seguro, organizado, mas
mesmo assim vemos as pessoas trabalhando até tarde, criando ainda, em suas
moradias, simples endereços postais, porque ali, não reside mais uma família
e sim hospedes, que chegam tarde e levantam cedo.
É
a intolerância, o tudo para ontem, que faz as organizações deixar de lado as
metodologias e afins, para dar lugar aos bombeiros, ou seja, as pessoas que
trabalham apagando incêndio, vivem o dia a dia fazendo isso.
Já ouvi gente dizer que planejar é perda de tempo, ou em nossa empresa
não temos este luxo, e depois passam seus finais de semana trabalhando,
correndo “atrás do rabo”, por que deixaram de planejar e assim, prever
melhor os seus passos.
Hoje, qualquer erro ou omissão, é motivo para um gerente, coordenador e
outros palpiteiros organizacionais, sairem dizendo: “seu emprego já era, será
mandado embora...”. Se acham benfeitores, que dádiva de dar e tirar empregos,
sendo que muitas vezes, são funcionários iguais a nós, e o que tem de
diferente é um substantivo “gerente”, “diretor” e afins. Dar emprego não
é favor, já que colocados nossa força, seja física ou intelectual, na
empresa.
Hoje temos os casos, os históricos, as tecnologias, as modernas técnicas
de administração, uma aparente valorização do capital intelectual, e se não
aprendermos com isso, estamos pior que os homens da idade média. Eles eram
ignorantes, nós temos o conhecimento, e o que fazemos?
Anderson
Siqueira
Administrador,
analista de sistemas e processos, com mais de 10 anos de atuação nestas áreas,
professor na Fatec/Mauá e Faculdade Mauá