Viroses
Computacionais – Vida Artificial ?
Existe muita confusão a respeito do tema “Viroses Computacionais”. Parte disso é fruto de uma imprensa sensacionalista (mal assessorada e sem o mínimo de noções de informática) e do próprio desconhecimento do assunto por parte dos profissionais e estudantes de computação. Há bem mais de 20 anos as Viroses Computacionais habitam em escalas variáveis de ocupação os computadores do mundo. Hoje os chamados Vírus de Computador são uma realidade em praticamente todos os sistemas informáticos no mundo, independente de plataforma operacional ou arquitetura de hardware. Ao longo dos anos as Viroses Computacionais evoluíram em tecnologia, paradigmas e complexidade. Semelhantes aos vírus biológicos, os Vírus de Computador buscam criar cópias de si mesmos para manter sua presença e “sobrevivência” no(s) sistema(s) em que se alocam. Participantes da metodologia de preservação da própria espécie, passam a se enquadrar nos requisitos , tidos hoje como mínimos, para o que se considera uma forma de vida e, anexados no contexto do recente campo de pesquisa denominado “Vida Artificial”, passam a ser de inestimável importância para os estudiosos da Área de Segurança Digital, entusiastas e Cientistas em geral .De acordo com alguns pesquisadores, os Vírus de Computador representam um dos melhores exemplos do que chamamos de Vida Artificial. Segundo o famoso físico Dr. Stephen Hawkink “...os vírus de computador são a primeira forma de vida criada pelo homem...”.
Muito se evoluiu no campo da virologia computacional. Os vírus modernos são capazes de se auto modificar (Polimórficos), alterando sua assinatura de detecção conhecida e assim, mantém sua sobrevivência por muito tempo no sistema, garantindo um período longo para poderem se replicar internamente e para outros hosts. No topo da evolução da tecnologia viral temos os vírus Permutáveis e Metamórficos; eles são capazes de reorganizar sus blocos de código de forma variável e gerar polimorfias de suas próprias cópias polimórficas. Isso torna virtualmente impossível a recuperação de um arquivo infectado, e joga por agua abaixo a maioria dos artifícios heurísticos dos Anti-Vírus. Complementando, aplicam também as conhecidas técnicas “Stelth” (Invisibilidade) para permanecerem desapercebidos pelo usuário,sistema e Softwares Anti-Vírus.
Os vírus de computador dificilmente serão extintos. Para cada sistema criado para combatê-los, uma nova evolução surgirá.Um Ciberespaço seguro não significa um universo computacional sem vírus de computador. Sob a ótica da virologia computacional, o computador é como um criador de universos, que são regidos por regras estabelecidas para cada um deles. Ao podermos criar as regras nos habitantes do sistemas artificiais, permitimos que a virologia digital evolua, cresça, se adapte, lute e reproduza , trazendo muito valor agregado à computação e também para a biologia artificial, a qual se desenvolve em passos largos de forma paralela a biologia convencional.
Interessante
é lembrar que até nós, seres humanos, seguimos um mesmo padrão de sobrevivência
e evolução dos vírus, e, mesmo tendo características nocivas ao meio em que
vivemos , não acreditamos que a nossa extinção é a melhor maneira de
preservar o planeta .
Por
que não criarmos um “Colônia Viral”, para fins de pesquisa e assimilação
do conhecimento das viroses computacionais ? Muito se poderia produzir de benéfico
com isso. Novas tecnologias para segurança de dados poderiam surgir ou, através
do estudo dos vírus de computador, poderiam ser reproduzidos diversos
mecanismos de autômatos biológicos, o que reduziria muito o custo das
pesquisas médicas e farmacéuticas. O armazenamento de espécimes virais
manteria uma coletânea de mais de 20 anos de conhecimento aplicado na virologia
computacional disponível para aplicações específicas e isso não propiciaria
uma ameaça para a segurança digital (e existe segurança ?).
Eis
uma idéia (ousada) lançada ...