Esta invasão deve-se ao fenômeno Internet: mina de ouro dos dias atuais. Na verdade não exatamente à Internet, mas à web, principal responsável pela sua popularização.
Sem erro
Um indicador do sucesso de renda da internet é a valorização surpreendente das ações de empresas de tecnologia. E não é só empresas super lucrativas como a, cantada em prosa e verso, Microsoft. O mais curioso são as empresas que não dão lucro. A Amazon ícone de comércio via Internet coleciona balanços em vermelho, mas suas ações não param de se valorizar. A Starmedia apostou num portal para a comunidade latino americana, mas mudou de rumo por um erro crasso: não existe uma identidade latino americana. A empresa fracassou ? Errado, o lançamento dos papéis da Starmedia na bolsa de Nova Iorque foi um sucesso.
A corrida do ouro
A internet está presente na pauta de reuniões não só de empresas de tecnologia. Ninguém quer ficar de fora da onda do momento. Para dar um exemplo, Bradesco e Unibanco causaram grande reboliço ao anunciar acesso gratuito para seus clientes. Os provedores reagiram e ameaçaram denunciar à ANATEL. Como forma de adoçar a boca dos provedores queixosos, a Telefónica, parceira dos bancos no acesso gratuito, reduziu às exigências para habilitar os provedores a oferecer acesso ASDL. Por aí já dá para concluir, se há briga é porque o negócio é promissor. Alex Mandic está de volta, agora em parceria com o Garantia no IG.com, cuja proposta é internet gratuita para qualquer um que deseje. Estamos próximos de uma revolução dentro da revolução. A internet vai deixar de ser o produto fim, para ser o meio.
Mas o negócio Internet não se resume aos provedores, empresas de diversas áreas buscam a internet como forma de ampliar seus negócios. Já não basta manter e-mails e páginas institucionais, hoje a web é tida como um grande meio de expansão de negócios. O poder de alcance da web parece ilimitado. A Amazon, mais famoso site de compras ainda não gera lucros, mas não pára de crescer e já possui número invejável de clientes.
Os maiores bancos do país tem menos de 10% dos seus clientes operando em seus Home Bankings, mas este número vem crescendo, gerando grande economia para as instituições. Não é à toa que os bancos são campeões de volume de investimento em tecnologia e especificamente em tecnologia voltada para a Internet.
Palavra mágica
Internet é a palavra da moda, tanto que várias empresas vem lançando mão de projetos voltados à grande rede para alavancar ou mesmo salvar seus negócios. A Globo Cabo, por exemplo, há muito opera no vermelho, mas o simples anúncio do acesso por cabo fez com que a empresa tenha se tornado a grande vedete do mercado financeiro brasileiro. A empresa é apontada até nos EUA, como uma das grandes promessas para os próximos anos e mesmo dando prejuízo não está difícil encontrar investidores nacionais ou não dispostos a cravar alguns milhões na empresa. A livraria Saraiva aposta na internet como sua salvação, bem no estilo "se não pode vencê-los, junte-se a eles". Já estamos chegando num ponto que o fato de não estar plugada na rede é uma séria ameaça à empresa, pois desperta dúvidas quanto a sua saúde.
Sincronia
Se por um lado a popularização da internet faz com que os profissionais de TI sejam os profissionais do momento, por outro somos obrigados a conviver pacificamente com os novos "especialistas" no assunto: todo mundo. O resultado é que devemos estar dispostos a ouvir e ler certas bobagens, sobretudo técnicas, pois em geral, o aspecto técnico é pouco relevante para a grande maioria desses novos especialistas. Pode parecer estranho, mas quem mais precisa se reciclar para este novo momento somos nós, profissionais de informática. Há dois flancos para serem atacados: a comunicação com esses novos especialistas e a atualização de conhecimentos.
Reciclagem
A grande diferença deste processo de atualização é que o importante agora não é o conhecimento técnico, mas sim o negócio. O desenvolvimento para internet não traz grandes inovações, são os mesmos conceitos, num novo meio. Não vai adiantar correr para o Technical Education Center mais próximo e investir dezenas de horas e alguns milhares de reais nos últimos lançamentos em cursos de ASP ou Java. O X da questão é a concepção do negócio na internet, em outras palavras, como trazer para a web o negócio da empresa e assim criar mais uma máquina de gerar dinheiro.
Onde buscar este conhecimento? Muito provavelmente não seja nos livros ou nas universidades. O conhecimento que se exige hoje é adquirido no dia a dia, na experiência conquistada ao término de cada novo projeto, no bloco de economia do jornal, nas conversas de corredor na empresa, ou seja em todo lugar. Foi-se o tempo em que os profissionais de informática ficavam isolados em grandes salas, que mais pareciam aquários. Já somos presença garantida nas reuniões estratégicas e de resultados. O profissional que ambicione um mínimo de evolução na carreira deve estar aberto para o mundo. Os nerds e os gênios terão problemas para se adaptar, mas o mundo não pára.
Para pensar
A onda dos ERPs acabou ?
(*) Ulysses Monteiro Duarte (http://www.umd.niteroi.net - ulysses@niteroi.net) é Engenheiro de Computação com atuação em desenvolvimento de sistemas.