De volta às aulas
Nada evolui tão rápida e dinamicamente quanto a Informática. O sucesso e mesmo a sobrevivência do profissional desta área depende de aprendizado e atualização contínuas... Calma, eu sei que isto todos nós sabemos, já o lemos um zilhão de vezes, o que vamos discutir aqui são os diversos meios de manter-se atualizado.
O primeiro passo
Po incrível que possa parecer para uns, a maior barreira para muitos bons profissionais ainda é a língua. É quase impossível sair-se bem em TI sem dominar o inglês. Na internet o predomínio é gritante. Quantos bons livros em Português você conhece ? E por aí vai. Em tempos globalizados é cada vez mais comum termos que utilizar o inglês até no dia a dia com nossa equipe.
Homens e livros
O velho e bom livro está sempre presente no processo de aprendizado, seja como estrela principal de uma série Teach Yourself, seja como coadjuvante do MBA da FGV. Mas não podemos nos iludir, livros não fazem milagres, por melhor que sejam e por mais autodidatas que sejamos, não há como dominar uma nova tecnologia ou ferramenta na biblioteca. Outra armadilha são os títulos do tipo Tudo que você precisa saber sobre... ou Aprenda agora.... Nenhum livro irá abranger totalmente qual assunto queira, nem tampouco irá sozinho nos ensinar coisa alguma. Por outro lado, por mais que dominemos um assunto, um bom livro sempre irá acrescentar algo.
Um canudo, uma profissão
Muitos dos profissionais de TI no mercado hoje não tem formação na área. Começaram por oportunismo, necessidade ou simplesmente vocação e já conquistaram seu espaço de modo que não faz o menor sentido voltar e fazer uma faculdade. Entretanto a Informática está saindo da infância e amadurecendo, cada dia fica mais importante, principalmente para os iniciantes, ter o aval de um diploma, sobretudo quando assinado por uma universidade do primeiro time.
O cuidado deve ser na escolha da faculdade. Hoje já são apresentados ao mercado cerca de 10 mil recém formados todo ano. E como os holofotes estão virados para o mercado de TI, não pára de aparecer novos cursos. É evidente que a grande maioria desses cursos vai resultar num diploma sim, mas em pouco conhecimento e muitíssimo pouco respeito e garantia de emprego.
Uma outra decisão a ser tomada é quanto ao curso a escolher. Hoje temos Engenharia de Computação, Análise de Sistemas, Ciência da Computação, Processamento de dados e variantes. Mais importante do que o título é verificar o conteúdo programático do curso e a seriedade e competência da instituição. Por mais que o mercado esteja se expandido, há concorrência sim, até com formados em outras áreas. Não é difícil achar diplomados em faculdades discutíveis desempregados ou atuando em áreas totalmente diferente. Um curso superior leva muito tempo e dinheiro para podermos simplesmente arriscar qualquer um.
Mestrado e Doutorado
Há algum tempo, fazer pós graduação era considerada uma etapa a ser vencida para aqueles que seguiriam carreira acadêmica, seja docência ou pesquisa. É notório, que para esta carreira, que pode ser brilhante e mais rentável do que se imagina, a pós graduação continua fundamental. Entretanto as empresas estão descobrindo também o valor de um doutor em seus quadros. Além da maior capacitação para atividades como desenvolvimento de novas tecnologias ou pesquisa, o pós graduado vem sendo mais valorizado por um raciocínio bem simples: "Se ele investiu tanto tempo e dinheiro nesta pós, no mínimo é um sujeito que investe em sua carreira." Outro diferencial dos pós graduados é o grau de especialização em determinado assunto.
Novamente é importante a escolha da instituição e do curso, caso contrário a pós será mera perda de tempo e dinheiro.
MBA
Embora o tipo de pós graduação denominado MBA exista há muito, sobretudo nos EUA, talvez nunca estiveram tão em voga como atualmente. Esses cursos tem um perfil mais prático e via de regra visam formar ou aperfeiçoar executivos.
Para quem pretende pleitear um cargo de alto escalão em uma das empresas cujo nome torna desnecessário qualquer outra apresentação, investir num MBA é um caminho. Os formados nos melhores cursos são praticamente disputados a tapa pelas melhores empresas. Entretanto para aqueles de perfil mais técnico, que não sonhem em se tornar grandes executivos, o retorno do pesado investimento em um MBA provavelmente não será a contento.
Também no que diz respeito a MBA há algumas armadilhas. Muitos cursos são MBA só no nome, na verdade são especializações, algumas vezes até muito boas. MBA , por definição, é sobre administração. Devemos desconfiar de MBA em publicidade ou mesmo MBA em Computação. Um bom MBA exige grande esforço e investimento pesado. Os melhores cursos duram dois anos e custam algumas dezenas de milhares de dólares. Há bons cursos de um ano, mas são mais intensivos, talvez mais difíceis de conviver com outras atividades.
Muitos ainda acham que somente vale a pena fazer um MBA no exterior. É evidente que ninguém em condições normais abriria mão da oportunidade de fazer um curso em uma das escolas mais badaladas do mundo (não vamos fazer propaganda gratuita aqui). Entretanto já temos ótimos cursos aqui no Brasil. Há ainda cursos sanduíche, onde o aluno integra um bom curso aqui com uma temporada numa universidade lá fora. Muitas instituições nacionais já possuem convênios deste tipo.
Profissional certificado
Outra grande vedete do mercado de TI hoje são as certificações oferecidas pelas empresas fabricantes dos principais softwares disponíveis no mercado. Um profissional certificado em SAP ou Oracle tem emprego garantido e grande poder de fogo na hora de negociar o salário. Outras empresas como a Microsoft, Sun e Imprise têm também programas de certificação que garantem alguma tranqüilidade ao profissional.
Em linhas gerais a certificação é oferecida ao profissional a partir da avaliação em testes específicos. Normalmente esses testes não são fáceis e exigem do profissional bem mais que o conhecimento adquirido nos livros e nos cursos preparatórios.
Na crista da onda
Independente do plano de carreia, o profissional de TI está sempre pressionado a manter-se atualizado, no que tange ao conhecimento de novas tecnologias ou ferramentas. Para isso, dispomos de uma grande gama de opções: livros, cursos convencionais, cursos ratificados pelo fabricante, que normalmente são atrelados à certificação, cursos virtuais pela internet..... Há para todos os gostos.
Aqui o importante é aliar a teoria à prática. Se colocarmos no currículo que conhecemos determinada ferramenta, somente porque fizemos um, dois ou dez cursos certamente passaremos apuros perante um interlocutor que realmente domine a ferramenta.
Algumas das ondas do momento são e-comerce e tudo ligado à internet: EDI, Java, etc... A onda dos sistemas de gestão ainda está forte, mas parece não ter a volúpia de antes.
Opinião
Numa pesquisa informal com profissionais sobre o assunto (**), tivemos o resultado dentro do previsto: continuar estudando é fundamental. O que estudar é que varia em função dos objetivos de cada um. Responderam à pesquisa 103 pessoa, sendo 3 pós gradua(n)dos , 98 profissionais com curso superior na área e 2 técnicos ou formados em outras áreas.
71 % - Desenvolvimento
17 % - Suporte
1 % - Redes
11 % - Outros (Destacando-se Pesquisa e Consultoria)
96 % - Sim
4 % - Não
O resultado só vem comprovar a máxima que TI exige treinamento e estudo constantes.
16 % - Pós graduação técnica
17 % - Pós graduação para administração ou MBA
19 % - Especialização
68 % - Cursos técnicos (linguagens, etc.)
Mostra uma preocupação muito maior com o conhecimento técnico do que com o título, o que não é de se estranhar num mercado onde cada vez mais os profissionais trabalham sem vínculos com a empresa. Muitos trabalham por projeto e seu principal cacife é o conhecimento específico demandado por este ou aquele projeto.
Curiosidade: Especialização foi citada principalmente por aqueles que atuam em Suporte.
O total não é 100 % devido à possibilidade de respostas múltiplas.
41% - A empresa
65% - O Profissional
3 % - Curso gratuito
Esta questão vem comprovar duas tendências: a da independência do profissional, como na questão anterior e a auto gestão da carreira. Há uma maior rotatividade dos profissionais. Já não é tão comum encontrar um profissional, cujo objetivo seja ingressar e fazer carreira numa grande empresa.
33 % - No Brasil
75 % - No exterior
Talvez a única surpresa na pesquisa. Faltou ficar claro se esta preferência vem do desejo de Ter uma experiência internacional ou vem da análise de qualidade dos cursos daqui e do exterior. De todo modo, serve de alerta para as instituições brasileiras.
Nesta questão, os profissionais numeraram de 1 a 5 (1 = mais importante) os skills apresentados. O resultado aparece em forma de média. Apesar de toda informalidade do mercado de TI, o curso superior ainda é apontado como o principal. O conhecimento específico, técnico, também tem grande importância. O restante, depende muito dos objetivos individuais.
Resultado:
1 - Curso superior : média 1,6
2 - Conhecimento técnico (linguagens/ ferramentas) : 2,4
3 - Pós graduação técnica: 3,5
4 - Pós graduação administrativa / MBA: 3,7
5 - Certificação: 3,8
Conclusão
A grande conclusão de tudo isso parece obvia: o profissional de TI necessita estar em constante aperfeiçoamento. O principal ponto é investir no curso certo em função dos objetivos a médio e longo prazo.
Para pensar...
Por que empresas de TI que sequer estão dando lucro estão com suas ações tão valorizadas ?
(*) Ulysses Monteiro Duarte (http://www.umd.niteroi.net - ulysses@niteroi.net) é Engenheiro de Computação com atuação em desenvolvimento de sistemas.
(**) - Pesquisa realizada pelo autor através da Internet, com o envio de cerca de 300 e-mails para profissionais de TI relacionados em seu grupo de discussão.