Comércio Eletrônico Setorial, do conceito ao relato de caso
Rubens Mazzali
Economista com especialização em microeconomia
Diretor de Relações com o Mercado da Station América scp
Diretor de Operações da Mazzali Interamericana Ltda.
Resumo
Trata da necessidade de mudança no perfil da atividade comercial com o abandono da condição secular de entreposto físico de mercadorias para tornar-se um entreposto lógico de informações. Relata um caso de concepção, desenvolvimento e implantação de um comércio eletrônico setorial na área de autopeças e pneumáticos como forma de ilustrar os conceitos apresentados.
Palavras-chave
comércio eletrônico setorial, internet, transportes, informações
Estamos nos aproximando da virada do século e por graça do destino, presenciamos e convivemos com a maior aceleração tecnológica de que se teve conhecimento na história do homem. Apesar dos deslizes de alguns usos indevidos, são as ciências ditas exatas e biológicas que vêm amparando tal evolução, aproveitando a lacuna deixada pela estagnação das ciências humanas.
As mais recentes tecnologias são inseridas nos mais diferentes produtos e processos mudando constantemente os usos e costumes da civilização. Novas técnicas, novas máquinas, novos produtos e, conseqüentemente, novos homens. Em nosso País, essas alterações ocorrem num cenário macroeconômico não menos mutável e tampouco menos previsível.
A atividade comercial sempre representou bem as relações humanas e, como elas, não evoluiu na mesma proporção observada nas demais ciências. Há séculos vem desempenhando a função de entreposto de mercadorias com a clara missão de facilitar a distribuição. O comerciante, desde os primeiros tempos, qualificava-se como o elemento que tinha proximidade física com o mercado conhecendo suas características e demandas. O principal representante do setor terciário foi o portador das novas ferramentas, das novas máquinas, dos computadores e de seus programas mas muito pouco se utilizou desses instrumentos para o seu próprio desenvolvimento.
À porta de um novo século, a empresa comercial ainda possui as funções de entreposto físico de mercadorias. Ainda posiciona-se como elemento de proximidade física de determinados mercados nos quais se especializa. A ironia dessa função de encurtar distâncias é cruel: a comercialização das novas tecnologias reduziu o tamanho do planeta. O domínio da navegação em ultramares, máquina a vapor, automóvel, aviões supersônicos e, agora, computadores, telecomunicações, internet. Inovações que encurtaram de tal forma as distâncias que o planeta saiu da condição de uma imensidão desconhecida para transformar-se em um pequeno, mas admirável, mundo novo.
Nota-se que, além de não evoluir o suficiente para produzir os dividendos que dele eram esperados, o comércio vem perdendo a sustentação de sua função estratégica na economia. Estar próximo a seus mercados era uma das formas pelas quais a empresa comercial obtinha um de seus principais ativos: informações. Hoje esse ativo está cada vez mais valorizado e estar próximo geograficamente de um determinado mercado ainda é importante, mas não mais fundamental. Em um planeta cada vez mais integrado, com agentes econômicos virtualmente próximos pelas tecnologias, a informação trafega em uma velocidade cada vez maior e com acesso praticamente livre.
O volume de dados disponíveis cresceu de forma exponencial e contou com o surgimento de incontáveis vias para transitar. Para que tais dados convertam-se em ativos de valor prezável, devem necessariamente assumir o status de informação. A qualidade, ou porque não, a quantidade de informação está relacionada direta e proporcionalmente à incerteza ou à surpresa da ocorrência (Claude Shannon). Assim, cabe aos agentes demandantes o garimpo virtual e global de informações de qualidade para que seja agregado valor ao seus ativos. A proximidade física perdeu sua importância.
Entende-se que é hora de ocorrerem mudanças profundas no comércio e que sejam suficientemente incisivas a ponto de redirecionar as funções arcaicas e seculares desse setor. As mais recentes tecnologias aliadas à confiabilidade atingida pelas telecomunicações asseguram o fim do entreposto físico e estático de mercadorias em favor do entreposto lógico e dinâmico de informações.
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